"Também deixei ficar em Israel sete
mil: todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda a boca que não o
beijou. "
1 Reis 19:18
Eu
estava meditando na minha vida uns dias atrás, e como Deus sempre, é
misericordioso e corrige aos que ama, levei uma “paulada santa” na minha
cabeça.
Semana
passada, estávamos em família e minha irmã comentou sobre uma conversa que teve
com os alunos da aula de música, dizendo sobre o compromisso e empenho para
aprender música, e ela se deu conta de que faz 17 anos que ela estuda música.
Aí eu comentei que agora em março faz 19 anos que eu ministro com dança.
Além
de provar que a gente tá ficando velha (será?!?!?), comecei a me lembrar que
minha convicção sobre o chamado de Deus para a minha vida se deu muito cedo, e
por isso, por algumas vezes, não conseguia entender as dúvidas que serpenteiam
a mente de algumas pessoas. Destes 19 anos ministrando, 17 deles eu tenho
liderado um ministério. E nestes 17 anos, passei por muitas coisas, desde
grupos com cerca de 15 pessoas, quanto a momentos em que havia somente eu para
ministrar. Hoje, somos uma dupla. E cada vez que uma pessoa me procurava para
dizer que queria sair do ministério, ou que tinha dúvidas sobre o chamado de
Deus, eu me cobrava sobremaneira. A cada desistência, cada “abandono”, seja por
dúvida, porque a pessoa se mudou de cidade, ou de igreja, ou porque
simplesmente não queria mais, eu me sentia como Elias.
Como
assim? Elias foi um profeta com absoluta certeza de quem ele era em Deus. Fez
grandes coisas em nome do Senhor, e um de seus feitos mais notáveis está em 1
reis 18, quando ele desafiou os profetas de Baal, dizendo que o Deus verdadeiro
era aquele que respondia com fogo. Todos sabemos que o Deus de Israel foi quem
respondeu com fogo, e Elias matou todos os 450 profetas de Baal e disse ao rei
que voltaria a chover em Israel.
Logo
depois de todos estes feitos, Elias é ameaçado por Jezabel e se torna uma
pessoa amargurada e depressiva. No capítulo 19 de 1 reis, o profeta foge e se
esconde em uma caverna. Ao ser indagado sobre o porque está ali, o profeta se
lamuria: “Tenho sido zeloso pelo Senhor, os filhos de Israel abandonaram a sua
aliança com Deus, mataram a todos os profetas, só sobrei eu!”.
Muitas
vezes eu me sinto como Elias: Não duvido do meu chamado, mas parece que eu sou
a única pessoa no planeta que tem essa certeza na vida. Senhor, só sobrei eu!
Na
última vez que alguém me procurou para deixar o ministério, imediatamente veio
esse pensamento em minha mente. E foi aí que Deus veio com a paulada. Da mesma
forma como Elias não havia ficado sozinho como profeta do Senhor em Israel, eu
não sou a super ministra de dança que sempre soube o que quis fazer na vida. É difícil
para mim, em muitos momentos, compreender os caminhos do Senhor, mas sei que
eles são infinitamente maiores que os meus.
Quando
comecei a escrever este texto (24/02/2019), estava me controlando para lidar com minha
própria amargura, pois como disse, estava como Elias. Muitos meses se passaram
e eu deixei o texto inacabado de lado, algumas vezes o abria, relia, escrevia
um pouco mais e apagava novamente. Não estava em condições de concluí-lo. Nesse
interim, sofri com uma lesão ligamentar, fiquei afastada, imobilizada, longe de
ministrar ao Senhor com meu corpo. A possibilidade de uma intervenção cirúrgica,
que ainda existe, me apavorou. Com essa situação, surgiu certa dúvida em minha
mente, a respeito do que tenho feito. Considerei que, talvez, eu fosse cabeça
dura demais para abrir mão de algo que estava me prejudicando. Mais uma vez, em
minha mente, fiquei apenas eu.
Junto
com minhas responsabilidades com minha igreja local, faço parte de um grupo
interdenominacional que realiza seminários voltados à restauração e
estruturação da igreja de Jesus. E nesses seminários, que acontecem anualmente,
faço parte do grupo de coreografias, de fato, tenho liderado este grupo por
alguns anos. Quando comentei com a missionária responsável pelo trabalho aqui
no Brasil, que devido a minha lesão eu poderia não participar da coreografia,
ela me disse: “Não! Não pode ficar fora! Seu pé tem que ficar bom até lá, Sung
trata!” (Eles são coreanos, e Sung é o esposo dela que é médico acupunturista).
Ele me tratou, a inflamação do meu tornozelo diminuiu e no seminário deste ano
aconteceu algo que nunca havia acontecido antes: Diferentes pessoas vieram até
mim e elogiaram minha dança. Pessoas que participavam do seminário, membros da
equipe de trabalho, membros da equipe coreana de Los Angeles que dificilmente
elogiam. Não falo isso para me exaltar, mas para mostrar que mesmo nos momentos
de fragilidade, Deus cuida dos seus. Esses elogios não inflaram meu ego, pelo
contrário, me fizeram perceber que Deus, que sonda meu coração, sabendo da
angustia que estava me corroendo em relação ao meu chamado, me mostrou que o
que Ele havia me dito, há 17 anos, se mantem verdadeiro em minha vida.
Eu
não sei pelo que você passa, quais suas dúvidas, como você se sente. Mas sei
que Deus sempre vai encontrar uma maneira de falar com você. Você não está
sozinho. Não aceite o soprar do diabo em sua mente querendo que você se sinta
só. Deus levanta todos os dias sete mil joelhos que não se dobram a Baal para
estarem ao seu lado. Basta apenas que você abra os seus olhos!
Tatiane
Salles.
