segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Meu Tesouro


Porque, onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração.
Lucas 12:34



Quer um texto mais autoexplicativo do que este?
Essa semana eu preguei sobre os 10 leprosos que foram curados por Jesus no texto de Lucas 17:11. A fé salvou ao único samaritano na equação, um cara que sequer fazia parte do povo escolhido por Deus. Esse samaritano nos representa, um povo que não fazia parte da promessa, mas foi enxertado na videira pela fé e recebe hoje, pela misericórdia do Senhor, a seiva da videira verdadeira.
Acontece que o nosso tesouro, muitas vezes, não está onde deveria estar. Nós nos tornamos os 9 leprosos judeus, que receberam a cura, mas não tinham seu tesouro, e por consequência, seu coração, no lugar certo.
Os dez leprosos foram curados, todos eles precisaram exercer sua fé, pois Jesus disse a eles: Olha, se mostrem ao sacerdote. Jesus não declarou cura sobre eles, mas eles foram impulsionados pela fé a tomar a decisão de ir até o sacerdote. No caminho, os dez receberam a cura. Apenas um voltou até o Eterno Sumo Sacerdote para se mostrar e para adorar. O coração deste homem estava no lugar certo.
Muitas vezes nosso tesouro está em outros lugares que não aos pés de Cristo. Meu tesouro pode estar no meu trabalho, no meu ministério, na minha família, no meu casamento, no meu futuro... Onde está o meu tesouro, lá estará meu coração.
O salmo 24 diz que subirá ao monte do Senhor aquele que tem mãos limpas e um coração puro. Será que meu tesouro tem estado no lugar onde meu coração pode permanecer puro? Somente aos pés do Senhor Jesus é posso manter meu coração puro, portanto, é aos pés de Jesus que deve estar o meu tesouro.



quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Dias de Elias



"Também deixei ficar em Israel sete mil: todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda a boca que não o beijou. " 
1 Reis 19:18


Eu estava meditando na minha vida uns dias atrás, e como Deus sempre, é misericordioso e corrige aos que ama, levei uma “paulada santa” na minha cabeça.

Semana passada, estávamos em família e minha irmã comentou sobre uma conversa que teve com os alunos da aula de música, dizendo sobre o compromisso e empenho para aprender música, e ela se deu conta de que faz 17 anos que ela estuda música. Aí eu comentei que agora em março faz 19 anos que eu ministro com dança.
Além de provar que a gente tá ficando velha (será?!?!?), comecei a me lembrar que minha convicção sobre o chamado de Deus para a minha vida se deu muito cedo, e por isso, por algumas vezes, não conseguia entender as dúvidas que serpenteiam a mente de algumas pessoas. Destes 19 anos ministrando, 17 deles eu tenho liderado um ministério. E nestes 17 anos, passei por muitas coisas, desde grupos com cerca de 15 pessoas, quanto a momentos em que havia somente eu para ministrar. Hoje, somos uma dupla. E cada vez que uma pessoa me procurava para dizer que queria sair do ministério, ou que tinha dúvidas sobre o chamado de Deus, eu me cobrava sobremaneira. A cada desistência, cada “abandono”, seja por dúvida, porque a pessoa se mudou de cidade, ou de igreja, ou porque simplesmente não queria mais, eu me sentia como Elias.
Como assim? Elias foi um profeta com absoluta certeza de quem ele era em Deus. Fez grandes coisas em nome do Senhor, e um de seus feitos mais notáveis está em 1 reis 18, quando ele desafiou os profetas de Baal, dizendo que o Deus verdadeiro era aquele que respondia com fogo. Todos sabemos que o Deus de Israel foi quem respondeu com fogo, e Elias matou todos os 450 profetas de Baal e disse ao rei que voltaria a chover em Israel.
Logo depois de todos estes feitos, Elias é ameaçado por Jezabel e se torna uma pessoa amargurada e depressiva. No capítulo 19 de 1 reis, o profeta foge e se esconde em uma caverna. Ao ser indagado sobre o porque está ali, o profeta se lamuria: “Tenho sido zeloso pelo Senhor, os filhos de Israel abandonaram a sua aliança com Deus, mataram a todos os profetas, só sobrei eu!”.
Muitas vezes eu me sinto como Elias: Não duvido do meu chamado, mas parece que eu sou a única pessoa no planeta que tem essa certeza na vida. Senhor, só sobrei eu!
Na última vez que alguém me procurou para deixar o ministério, imediatamente veio esse pensamento em minha mente. E foi aí que Deus veio com a paulada. Da mesma forma como Elias não havia ficado sozinho como profeta do Senhor em Israel, eu não sou a super ministra de dança que sempre soube o que quis fazer na vida. É difícil para mim, em muitos momentos, compreender os caminhos do Senhor, mas sei que eles são infinitamente maiores que os meus.
Quando comecei a escrever este texto (24/02/2019), estava me controlando para lidar com minha própria amargura, pois como disse, estava como Elias. Muitos meses se passaram e eu deixei o texto inacabado de lado, algumas vezes o abria, relia, escrevia um pouco mais e apagava novamente. Não estava em condições de concluí-lo. Nesse interim, sofri com uma lesão ligamentar, fiquei afastada, imobilizada, longe de ministrar ao Senhor com meu corpo. A possibilidade de uma intervenção cirúrgica, que ainda existe, me apavorou. Com essa situação, surgiu certa dúvida em minha mente, a respeito do que tenho feito. Considerei que, talvez, eu fosse cabeça dura demais para abrir mão de algo que estava me prejudicando. Mais uma vez, em minha mente, fiquei apenas eu.
Junto com minhas responsabilidades com minha igreja local, faço parte de um grupo interdenominacional que realiza seminários voltados à restauração e estruturação da igreja de Jesus. E nesses seminários, que acontecem anualmente, faço parte do grupo de coreografias, de fato, tenho liderado este grupo por alguns anos. Quando comentei com a missionária responsável pelo trabalho aqui no Brasil, que devido a minha lesão eu poderia não participar da coreografia, ela me disse: “Não! Não pode ficar fora! Seu pé tem que ficar bom até lá, Sung trata!” (Eles são coreanos, e Sung é o esposo dela que é médico acupunturista). Ele me tratou, a inflamação do meu tornozelo diminuiu e no seminário deste ano aconteceu algo que nunca havia acontecido antes: Diferentes pessoas vieram até mim e elogiaram minha dança. Pessoas que participavam do seminário, membros da equipe de trabalho, membros da equipe coreana de Los Angeles que dificilmente elogiam. Não falo isso para me exaltar, mas para mostrar que mesmo nos momentos de fragilidade, Deus cuida dos seus. Esses elogios não inflaram meu ego, pelo contrário, me fizeram perceber que Deus, que sonda meu coração, sabendo da angustia que estava me corroendo em relação ao meu chamado, me mostrou que o que Ele havia me dito, há 17 anos, se mantem verdadeiro em minha vida.
Eu não sei pelo que você passa, quais suas dúvidas, como você se sente. Mas sei que Deus sempre vai encontrar uma maneira de falar com você. Você não está sozinho. Não aceite o soprar do diabo em sua mente querendo que você se sinta só. Deus levanta todos os dias sete mil joelhos que não se dobram a Baal para estarem ao seu lado. Basta apenas que você abra os seus olhos!

Tatiane Salles.